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Taxonomia
Segundo o Sistema de classificação de Cronquist:
Família: Clusiaceae.
Espécie: Calophyllum brasiliense Cambessèdes.
Sinonímia botânica: Calophyllum antillanum Brit. Standl.;
Calophyllum ellipticum Rusby; Calophyllum rekoi Standl.
Nomes vulgares: bálsamo-jacareúba, beleza, cedro-mangue, cedro-do-pântano,
guanandi-amarelo, guanandi-carvalho, guanandi-poca, guanandi-cedro, guanandi-jaca,
guanandi-landim, guanandi-lombriga, guanandi-piolho, guanandi-rosa, guanandi-vermelho,
guanantim, guanandi-da-praia, guanandirana, gulanvin-carvalho, inglês, jacaríuba,
jacareaba, jacareíba, jacareúba, landinho, lantim, landi-carvalho,
landi, landim, lanfim, mangue, mangue-seco, olandi-carvalho, oanandí, oonandi,
olandí, olandim, pau-de-maria, pau-de-azeite, pau-de-santa-maria,
pau-sândalo,
pindaíva, uá-iandi (fruta oleosa).
Aspectos ecológicos
O guanandi é uma espécie
pertencente ao grupo sucessional secundária/intermediária tardia
(Durigan & Nogueira, 1990), porém ocorrem guanandizais quase puros,
em condições pioneiras, no litoral paranaense (Carvalho, 1996).
A
espécie ocorre em todas as bacias brasileiras, sobretudo em planícies
temporariamente inundadas. Observa-se, nessas condições, que mesmo
submersas as sementes mantêm a viabilidade, bem como as plantas crescem
normalmente em solo encharcado (Marques & Joly, 2000).
Descrição
Quando
adulta, a árvore pode atingir até 20m de altura e diâmetro (DAP) entre 20 a 50
cm. Na região amazônica pode atingir 40 m de altura e 150 cm de DAP. Seu tronco
é geralmente reto e cilíndrico, apresentando fuste de até 15 m de altura.
O
guanandi é uma espécie de folhas perenes, com copa larga e arredondada, densa
e de coloração verde-escuro.
A casca externa é marrom-escuro ou pardacenta,
fissurada de alto a baixo, descamando em placas retangulares. A casca interna
possui coloração rósea, é aromática, amargosa e ácida, exsudando látex amarelado
e pegajoso.
As folhas são simples, opostas, elípticas, coriáceas e apresentam
dimensões de 5 a 15 cm de comprimento por 3 a 7 cm de largura, com nervuras laterais
abundantes, próximas e paralelas. O pecíolo é verde-escuro, lustroso, espesso
e mede até 2 cm de comprimento.
O guanandi possui flores masculinas e hermafroditas
na mesma planta, brancas, reunidas em racemos axilares ou panículas de 2,5 a 6
cm.
Os frutos são do tipo drupa globosa, indeiscentes, carnosos, com pericarpo
verde lactescentes quando maduros, apresentando dimensões de 19 a 30 mm de diâmetro.
A polpa é oleaginosa, envolvendo uma semente, que é globosa e de coloração castanha
(Carvalho, 1994).
Informações
sobre
reprodução e fenologia
O
guanandi é uma planta hermafrodita, cuja polinização é
feita principalmente por abelhas e diversos insetos pequenos (Carvalho, 1994).
A
dispersão do guanandi é muito variada, podendo ocorrer por zoocoria,
hidrocoria e autocoria. A dispersão zoocórica é promovida
especialmente por morcegos frugíveros, veados e tucanos. A dispersão
hidrocórica ocorre em função da localização
freqüente da espécie junto aos cursos d'água, mas a dispersão
a longas distâncias pode ficar comprometida pela estagnação
da água de inundação. Ressalta-se que as sementes não
germinam enquanto estão submersas, mas permanecem viáveis e flutuam
(Lobo et al., 1995). Por fim, a dispersão autocórica ocorre por
gravidade, fazendo com que os frutos caiam diretamente no solo (Ribeiro et al.,1995).
A
reprodução se inicia três anos após o plantio em solos
férteis e bem drenados, mas, em regeneração natural, esse
processo ocorre por volta dos dez anos de idade. A floração e frutificação
do guanandi são bastante variáveis em conseqüência da
abrangente área de ocorrência. No Distrito Federal floresce de setembro
a outubro; em São Paulo, de novembro a junho; na Paraíba, em dezembro
e no Paraná, de janeiro a março. A frutificação, no
Estado de São Paulo, ocorre entre abril e outubro (Carvalho, 1994).
Ocorrência
natural
Calophyllum brasiliense ocorre naturalmente entre as
latitudes 18º N (Porto Rico) e 28º 10' S (Brasil), em altitudes de 5
a 1.200 metros.
Clima
O
guanandi ocorre sob os tipos climáticos subtropical úmido, subtropical
de altitude e tropical. A precipitação anual média é
de 1.100mm (São Paulo) a 3.000mm (Pará), sendo que no litoral da
Bahia até Santa Catarina, região de Belém-PA e noroeste do
Amazonas as chuvas são uniformemente distribuídas ao longo do ano
e, nas demais regiões, são periódicas e concentradas no verão.
Tolera estação seca de até três meses, com déficit
hídrico moderado (região Centro-Oeste).
Essa espécie
desenvolve-se bem em temperatura média anual de 18,1ºC (Minas Gerais)
a 26,7ºC (Pará e Amazonas). Segundo Carvalho (1994), a espécie
suporta geadas, desde que em baixa freqüência (máximo de uma
por ano).
Solo
O
guanandi ocorre em solos aluviais com drenagem deficiente, periodicamente inundáveis
e brejosos, e com textura variando de arenosa a franca.
A Embrapa Florestas
realizou experimentos com plantio de guanandi em solo bem drenado, de fertilidade
média a alta, textura franca a argilosa e, nessas condições,
a espécie têm apresentado crescimento satisfatório.
Sementes
Para
obtenção de sementes, colhem-se os frutos no solo, quando estes
já estão totalmente ou parcialmente despolpados por morcegos.
A
semente é extraída por maceração, retirando-se epicarpo
e mesocarpo, permanecendo o endocarpo aderido à testa (Marques & Joly,
2000). Lorenzi (1992), sugere a utilização direta do fruto como
semente, sem despolpá-lo.
Cada quilograma de frutos contém
cerca de 160 sementes (Lorenzi, 1992).
As sementes de guanandi apresentam
dormência tegumentar, que pode ser superada por escarificação
mecânica ou estratificação em areia úmida por 60 dias.
Sem aplicação de tratamentos para superação de dormência,
a germinação pode demorar até seis meses (Carvalho, 1994).
Aspectos
silviculturais
Calophyllum brasiliense é uma espécie
florestal esciófila, que se regenera abundantemente à sombra, portanto
necessita de sombreamento de intensidade média na fase juvenil (Lopez et
al., 1987).
O crescimento do guanandi é monopodial, característica
que proporciona fustes bem definidos. Os galhos são finos, mas a desrama
natural é fraca, sendo necessárias as podas (Carvalho, 1994).
Os
métodos de regeneração para os povoamentos de guanandi comumente
utilizados são plantios puros a pleno sol ou em plantios mistos, associados
às espécies pioneiras. Pode-se também utilizar plantios em
faixas na vegetação matricial arbórea.
Outra característica
importante para a silvicultura dessa espécie é a capacidade de brotação
a partir da touça após o corte.
O ciclo de corte é
de aproximadamente 18 anos, mas a primeira receita é obtida aos 10 anos,
proveniente do desbaste
Crescimento
e produção
O guanandi é uma espécie
de crescimento lento a moderado. Em Manaus-AM, apresentou incremento médio
anual de 8,40 m³/ha/ano, aos nove anos de idade (Schimidt & Volpato,
1972).
Pragas
e doenças
Não há registros sobre ataques
significativos de pragas e doenças a essa espécie.
A
madeira
A madeira de guanandi possui massa específica
aparente entre 0,62 e 0,79g/cm³, a 15% de umidade e densidade básica
entre 0,49 a 0,51 g/cm³. Trata-se, portanto, de uma madeira moderadamente
densa (Jankowsky et al., 1990).
O alburno possui coloração
bege-rosado. O cerne pode é bege-rosado a róseo-acastanhado. De
modo geral, esta madeira apresenta superfície lustrosa e áspera,
textura fina e grã geralmente irregular (Carvalho, 1994).
A durabilidade
natural dessa madeira é moderada a alta para as podridões branca
e marrom, considerada imputrescível dentro da água. Apresenta baixa
permeabilidade aos tratamentos preservativos em função de possuir
os poros parcialmente preenchidos por óleo-resina (Benitez Ramos &
Montesinos Lagos, 1988).
Usos
e preço da madeira
A madeira de guanandi pode ser usada
para fabricação de móveis, construção civil,
construção naval, parquete, marcenaria, mourões, laminados
decorativos, fabricação de barris de vinho, entre outros (Lorenzi,
1992; Carvalho, 1994).
A madeira de guanandi está sendo comercializada
por aproximadamente R$ 2.000,00/m³ (cotação realizada no ano
de 2005).
Outros
usos
Além da produção de madeira, o guanandi
é indicado para obtenção de resina com propriedades medicinais
(uso veterinário), taninos (casca e folhas), óleo essencial (fruto)
e saponina (folhas) (Carvalho, 1994).
A árvore pode ser utilizada
em projetos paisagísticos de parques e praças, bem como em reflorestamento
para recuperação ambiental, especialmente em áreas de solo
encharcado (Lorenzi, 1992).
(FONTE
IPEF - Instituto de pesquisa e Estudo florestal) |
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