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O
gênero Acacia, com aproximadamente 2.000.000 ha plantados em todo o mundo,
apresenta uma relevante importância do ponto de vista social e industrial
no reflorestamento. As espécies de maior utilização são
Acacia mangium e Acacia auriculiformis sendo suas produções direcionadas
para polpa de celulose, madeira para movelaria e construção, matéria-prima
para compensados, combustível, controle de erosão, quebra-vento
e sombreamento (MARSARO JR,s.d.). |
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De
acordo com Galiana
et al. (2002) apud Tonini e
Vieira (2006), a Acacia
mangium
é a espécie
florestal mais plantada,
com uma área
comercialmente
explorada
no planeta
de aproximadamente
600 mil hectares.
Atualmente, é
a mais
utilizada no Sudeste
Asiático, principalmente
na Indonésia
e na Malásia. |
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A
espécie é uma leguminosa pioneira e vem despertando a atenção
dos técnicos e pesquisadores pela rusticidade, rapidez de crescimento e,
principalmente, por ser espécie nitrificadora (VEIGA et al.,2000).
O
interesse também parte por ela apresentar significativa capacidade de adaptação
às condições edafoclimáticas brasileiras (ANDRADE
et al., 2000), sobretudo em solos pobres, ácidos e degradados produzindo
elevada quantidade de madeira com baixa acumulação de nutrientes.
Assim, a espécie destaca-se em programas de recuperação de
áreas degradadas (RAD) e representa uma opção silvicultural
para o Brasil (BALIEIRO et al.,2004).
A acácia é uma espécie
nativa da parte noroeste da Austrália, de Papua Nova-Guiné e do
oeste da Indonésia, com potencial para cultivo nas zonas baixas e úmidas,
cuja madeira apresenta usos variados, entre eles a construção civil
e de móveis (SMIDERLE,2005).
Família: Mimosaceae
Espécie: Acacia mangium
Sinonímia botânica: Racosperma mangium Willd
Outros
nomes (vulgares): acácia-australiana, acácia, cássia.
Aspectos
Ecológicos
Árvore
perenifólia, apresenta crescimento rápido com vida média
de 40 anos.
A Acacia mangium é uma espécie típica de terrenos
pouco elevados que, atrás dos mangues, ocupa zonas pantanosas estacionais,
lagos bem drenados e montes e é frequentemente encontrada em solos de escassa
fertilidade (DORAN e SKELTON,1982).
A espécie é agressiva, podendo,
por alelopatia, impedir a germinação de outras espécies (INSTITUTO
HÓRUS,s.d.) e um espectro de tolerância muito grande o que adaptar
praticamente a quase todos os ambientes (BARBOSA,2002).
Informações
Botânicas
Morfologia
A
acácia é com freqüência uma árvore de grande porte
que pode alcançar uma altura de 25 a 30 m, com um tronco reto que pode
superar a metade da altura total da árvore.
Seu tronco ereto, possui
coloração cinza-pardo, com casca pouco saliente e levemente sulcado
longitudinalmente. Quanto a ramificação, apresenta-se fina, horizontal,
espaçada, formando copa ovalada com folhagem densa (INSTITUTO HÓRUS,s.d.).
As
folhas são simples e alternas, em ramos verdes e alados, dispostos espiriladamente,
ovalado-lanceoladas ou ovalado-alongadas, largas, coriáceas, de pecíolo
curto, ápice alongado, com nervuras salientes partindo da base, de 12-18cm
de comprimento. Elas são filódios permanentes que não evoluíram,
não dando origem às folhas verdadeiras que deveriam ser pinadas
(INSTITUTO HÓRUS,s.d).
Segundo o Centro de Pesquisa Agroflorestal
de Rondônia - CPAFRO (2004), as flores encontram-se dispostas em espigas
soltas de 10 cm de comprimento, solitárias ou unidas nas axilas superiores.
As flores são pentâmeras, com cálice de 0,6-0,8 mm de comprimento,
com lóbulos obtusos curtos, corola duas vezes tão longa quanto o
cálice.
Os frutos são do tipo vagem, espiralados ou torcidos,
marrons, curtos, deiscentes, com sementes pretas, pequenas, pendentes na vagem
por um filamento amarelo, formadas de setembro a novembro (INSTITUTO HORUS,s.d).
Eles são lineares quando verdes, com 3- 5mm de largura, alcançando
7-8cm de comprimento (BARBOSA,2002).
As
sementes são lustrosas e podem ter o formato elipsóide, oval ou
mesmo oblongo (2,5-3,5mm), dentro de uma coloração variando sempre
dentro da tonalidade alaranjada (BARBOSA,2002).

Ocorrência
Nativa
do norte do Estado de Queensland, na Austrália, Papua Nova Guiné
e ilhas de Irian Java e Molucas, na Indonésia (TONINI e VIEIRA, 2006).
As
latitudes da área de distribuição estão compreendidas
entre 1° a 19° S, e os principais populações se encontram
a uma altitude que vai desde a próxima ao nível do mar até
os 100 m, com um limite superior conhecido de 720 m (DORAN e SKELTON,1982).
Clima
A espécie pode suportar temperaturas médias mínimas
de 12 a 25ºC e médias máximas de 31 a 34ºC (BARBOSA,2002).
A
área de distribuição desta espécie corresponde principalmente
a zona de clima tropical úmido, com um curto período de seca no
inverno e uma precipitação anual total elevada. As temperaturas
próximas da região costeira são altas e uniformes durante
todo o ano. A precipitação percentual média é de aproximadamente
2.100 mm. A. mangium tem preferência por lugares com chuvas abundantes e
as separações na distribuição da espécie poderiam
estar diretamente relacionadas com as faltas de precipitação (MARINHO
et al, 2004).
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Solo
A
planta é adaptável para uma ampla gama de solos ácidos, pH
4,5-6,5, inclusive tolerando solos de baixa fertilidade ou com baixa drenagem.
Cresce em solos com teor de fósforo muito baixo (MARINHO, et al., 2004)
e é pouco adaptada, a solos calcários (TONINI e VIEIRA, 2006).
De
acordo com Dias et al. (1990) apud Baliero et al. (2004), sua ampla capacidade
de adaptação é advinda de características como o rápido
crescimento, baixo requerimento nutricional, tolerância a acidez do solo
e compactação e a elevada taxa de fixação de N2, quando
em simbiose com bactérias diazotróficas , que resultam em produções
elevadas de biomassa e entrada de nutrientes, via serrapilheira, em áreas
degradadas, podendo favorecer a sucessão vegetal nessas áreas.
Essa
espécie apresenta grande potencial para aportar matéria orgânica,
nitrogênio e bases trocáveis no solo, além de produzir serrapilheira
de baixa relação C/N. Essas propriedades influenciam de forma positiva
a manutenção da atividade biológica e a ciclagem de nutrientes
em solos degradados. Os valores expressivamente altos de serapilheira que esta
espécie pode depositar no solo permitem a formação de reservatório
de matéria orgânica e nutrientes, essencial para o processo de revegetação
(MARINHO, et al.,2004).
Usos
da Madeira
O aproveitamento
da madeira é direcionado, principalmente, para polpa de celulose. Porém,
a espécie possui aptidão para produção de moirões,
construção civil, (BALIEIRO et al.,2004) além de possibilitar
a produção de carvão e outros produtos como MDF, aglomerados
e compensados (SCHIAVO E MARTINS,2003).
Segundo NAS (1983) apud Barbosa
(2002), na forma natural é muito utilizado para produção
de madeira serrada e lenha devido a densidade de sua madeira. Em plantios silviculturais
existem estudos que podem levar ao aproveitamento de movelaria de baixo custo
(BARBOSA,2002).
Pesquisas desenvolvidas nas Filipinas mostraram a viabilidade
técnica e econômica de se produzir casa de excelente qualidade a
partir da madeira de Acacia mangium, mediante a sua transformação
em tábuas de fibra de madeira e cimento (Wood wool cement board) que além
das características mencionadas, não aquece, dissipa ruído,
usa pouco cimento, e é resistente a fungos, cupins e à água
(CASTRO e CIA,s.d.).
Produtos
Não-Madeireiros
Como as
flores da espécie são melíferas (BALIEIRO et al.,2004), o
néctar extrafloral pode produzir mel por abelhas do gênero Apis (BARBOSA,2002).
A
apicultura em povoamentos de Acacia mangium é uma atividade altamente lucrativa
porque o néctar é produzido em nectários extraflorais existentes
nas folhas e que produzem néctar durante toda época do ano, constituindo
excelente pasto para as abelhas, principalmente na Ásia (Vietnam, Tailândia,
Austrália) onde a espécie é cultivada em extensas áreas
(CASTRO e CIA,s.d.).
Nos povoamentos da espécie também é
possível a exploração de tanino, que possui boa aceitação
nos mercados nacional e internacional (CASTRO e CIA,s.d.).
As folhas da
acácia podem ser usadas como forragem na alimentação de animais
(LEILLES et al.,1996).
Outros
Usos
Segundo o INSTITUTO HÓRUS
(s.d), espécie é recomendada para fins paisagísticos devido
apresentar copa densa e elegante e adequada para arborização urbana
e rural. A árvore vem sendo usada com muito sucesso na arborização
das ruas de Manila (Filipinas) e de Bankok (Tailândia), para a remoção
de poluentes atmosféricos como o enxofre e o chumbo presente nos gases
provenientes dos escapamentos dos veículos. Na Malásia e Tailândia,
ela é empregada na arborização de sítios, parques,
rodovias e ferrovias, para embelezamento e proteção contra erosões
diversas (CASTRO e CIA,s.d.).
Apresenta também grande potencial
de uso em programas de reflorestamento e recuperação de áreas
com solos pobres ou degradados, tais como as áreas de encostas e de mineração
(SCHIAVO e MARTINS,2003).
A espécie também pode ser utilziada
como quebra-ventos (BALIEIRO et al.,2004) e para sombreamento.
Vários
projetos de reflorestamentos empregando a Acacia mangium têm sido estabelecidos
no mundo para comércio do seqüestro de carbono na Bolsa Climática
de Chicago. Estudos realizados no Vietnam mostraram que a Acacia mangium foi capaz
de fixar maior quantidade de carbono atmosférico por hectare do que os
eucaliptos testados, representando a possibilidade de ganhos adicionais de US$3.348,00
(US$60,00/t) por hectare reflorestado (CASTRO e CIA,s.d.).
Sementes
As sementes de acácia
apresentam dormência tegumentar que representa uma dificuldade na produção
de mudas em programas de reflorestamento. A dormência provoca desuniformidade
entre as mudas produzidas em viveiro, além do maior tempo de exposição
às condições adversas, como a ação de pássaros,
insetos, doenças e a própria deterioração. Embora
exótica, a acácia serve muito bem para ocupar ecossistemas degradados,
especialmente aqueles com áreas pedregosas e de solos rasos ou formados
por dunas de areia (CARVALHO, 1994) (SMIDERLE, 2005).
Devido à dormência
causada pelo tegumento impermeável à água, considerável
número de sementes de acácia pode permanecer sem germinar, durante
os testes de germinação ou em sementeiras destinadas à formação
de mudas (SMIDERLE,2005).
A emergência máxima de plântulas
de Acacia mangium é obtida após o tratamento das sementes em água
a 100°C por um minuto, sem imersão posterior em água a temperatura
ambiente, por superar a dureza tegumentar desta espécie (SMIDERLE,2005).
Produção
de Mudas e Enxertia
As mudas crescem,
em média, 32 cm por mês (BRIENZA JR, 2003), evidenciando o crescimento
inicial rápido da espécie.
Miranda e Valentim (1998), ao
avaliar a capacidade de enraizamento de estacas de algumas espécies arbóreas,
concluíram que a acácia não apresenta enraizamento por estaquia.
BORGES JR et al. (2004) estudando a taxa de enraizamento de estacas oriundas brotações
de cepas, em árvores que atingiram a maturidade de Acacia mangium, obtiveram
uma pequena taxa de enraizamento de 20% em comparação com estacas
oriundas de mudas.
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Aspectos
Silviculturais
O plantio de Acacia Mangium devidamente planejado,
permite a perfeita intercalação de culturas agrícolas como
o feijão, milho, arroz, soja, amendoim etc., nos dois primeiros anos. A
partir do terceiro ano de plantio, a exploração da pecuária
dentro da floresta é perfeitamente exeqüível, podendo criar
até 2,5 cabeças por hectare. A copa ampla e densa permite o seu
emprego como quebra-ventos para o cafeeiro, contra a ação dos ventos
gelados do inverno (CASTRO e CIA, s.d.).
Quanto à utilização
em produtos serrados e laminados, são necessários tratamentos silviculturais,
que melhorem a qualidade da madeira, como a desrama. A desrama é um procedimento
que aumenta o valor comercial e a qualidade da madeira (SCHNEIDER, 1999), porém,
se realizada de forma inadequada, pode reduzir o crescimento, pela perda assimilatória
ocasionada pela forte remoção da copa verde ou por danos bióticos
causados por fungos (TONINI e VIEIRA, 2006).
De acordo com Tuomela
et al. (1996) apud Tonini e Vieira (2006), em razão de a A. mangium não
apresentar desrama natural eficiente e possuir tendência a formar troncos
múltiplos, esse procedimento, nos estágios iniciais, é considerado
uma prática de manejo necessária, visando à melhoria da qualidade
da madeira e à formação de fustes longos de grandes dimensões
(TUOMELA et al., 1996) (TONINI e VIEIRA, 2006). Porém, Ito e Nanis (1997),
ao avaliar o efeito da desrama na incidência de podridão-do-lenho
de A. mangium na Malásia, sugerem que a primeira desrama seja feita em
árvores jovens, com galhos pequenos e vivos.
Crescimento
e Produção
Em
plantios silviculturais de excelente manejo, pode alcançar 15m de altura
e 40cm de diâmetro a altura do peito (DAP) em apenas 3 anos, apresentando
incremento médio anual em volume de 45m³/ha/ano (SOUZA et al.,
2004).
Preço
da Madeira no Mercado
Os valores
não diferirem muito daqueles cobrados pela madeira serrada de eucalipto
na região Sudeste do Brasil, (CASTRO & CIA, s.d.) onde tem oscilado
em torno de R$527,50/m³ (INFORMATIVO CEPEA, 2006). |
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